O desaparecimento de Isabel Brilhador, de 65 anos, que mobilizou familiares e forças de segurança durante vários dias em Campo Mourão, terminou de forma trágica. O corpo dela foi encontrado na manhã de terça-feira (15) enterrado no quintal da própria residência, no Jardim Cidade Alta II.

O caso, porém, ainda não está totalmente esclarecido. A Polícia Civil trabalha para determinar quando e como Isabel morreu, a motivação do crime e a responsabilidade do homem de 31 anos que está preso temporariamente e nega qualquer participação.

Entenda o que se sabe até agora.

Embora o desaparecimento tenha sido comunicado oficialmente no dia 5 de setembro, a família percebeu situações estranhas alguns dias antes.

Isabel mantinha contato frequente com os familiares e costumava compartilhar sua rotina por meio de áudios, fotografias e mensagens. A partir de aproximadamente 28 de agosto, no entanto, esse comportamento teria mudado.

As respostas passaram a ser feitas somente por mensagens curtas de texto e, em alguns períodos, o celular permanecia fora de área. No dia 4 de setembro, uma das filhas tentou fazer uma chamada de vídeo após receber uma mensagem atribuída à mãe, mas a ligação não foi atendida. No dia seguinte, a família procurou a polícia.

Investigação considera que Isabel pode ter morrido antes

Com o avanço das investigações, a Polícia Civil passou a trabalhar com a possibilidade de Isabel ter sido morta ainda no final de agosto, antes da data em que a família efetivamente percebeu seu desaparecimento.

Segundo o delegado Luã Mota, responsável pelo caso, uma das linhas investigativas é que mensagens teriam continuado sendo enviadas pelo celular de Isabel depois da morte, com a intenção de retardar a percepção da família de que algo havia acontecido.

Essa hipótese ainda faz parte da investigação e deverá ser confrontada com dados telefônicos, perícias e outros elementos reunidos no inquérito.

Buscas chegaram a uma área de mata

Antes da localização do corpo, policiais e bombeiros fizeram buscas em outros pontos de Campo Mourão.

No dia 9 de setembro, equipes concentraram os trabalhos em uma área de mata nas proximidades do Jardim Arnaldo Walter Bronzel. Dados relacionados ao celular de Isabel indicaram que o aparelho havia passado pela região.

Um cão farejador treinado para localização de restos mortais chegou a indicar pontos na mata. Foram realizadas escavações, mas nada foi encontrado.

A própria casa também já havia sido vistoriada

Um dos detalhes que mais chama a atenção é que a residência de Isabel já havia sido alvo de buscas anteriormente, inclusive com utilização de cães.

Mesmo assim, o corpo não foi localizado naquele momento.

Segundo o delegado Luã Mota, uma das possibilidades consideradas é que o período decorrido desde a morte ainda não fosse suficiente para que o animal detectasse o odor característico. Posteriormente, com o cruzamento das informações reunidas pela investigação, a Polícia Civil decidiu retornar ao imóvel.

Corpo estava em uma espécie de horta

Na manhã de terça-feira (15), os investigadores concentraram novamente as buscas na residência de Isabel.

O corpo foi localizado em uma cova rasa em uma área semelhante a uma horta, situada em um corredor lateral estreito entre a casa e o muro da propriedade vizinha.

Havia plantas sobre o local, o que, segundo a polícia, dificultava perceber alterações no terreno. O corpo foi retirado e encaminhado à Polícia Científica para realização de necropsia.

Polícia fala em crime planejado

O delegado Luã Mota declarou que, pelas condições encontradas na residência, a investigação trabalha com a hipótese de um crime premeditado.

A casa estava organizada, sem sinais aparentes de arrombamento, desordem ou luta corporal. Para o delegado, esses elementos indicam que a ação teria sido planejada.

Apesar dessa avaliação da Polícia Civil, a dinâmica exata do crime ainda depende da conclusão das perícias e do inquérito.

Homem de 31 anos está preso temporariamente

Antes mesmo da localização do corpo, a investigação já havia levado à prisão temporária de um homem de 31 anos, ocorrida no dia 10 de setembro.

Segundo a Polícia Civil, foram identificadas contradições entre os depoimentos prestados pelo investigado, a cronologia dos acontecimentos e outros elementos obtidos durante as diligências.

Informações divulgadas pela investigação apontam que ele e Isabel mantiveram um relacionamento. A Tribuna do Interior informou que a relação teria durado aproximadamente dois anos. Já a defesa declarou que se tratava de um relacionamento passado e afirmou que o último contato entre os dois teria ocorrido antes do desaparecimento.

O Pix de aproximadamente R$ 80 mil

Outro ponto central da investigação é uma transferência bancária de aproximadamente R$ 80 mil.

Segundo a Polícia Civil, o valor saiu da conta de Isabel e foi transferido via Pix para a conta do investigado na mesma semana do desaparecimento.

A polícia busca esclarecer quando exatamente a operação foi realizada, em quais circunstâncias ocorreu e se Isabel efetivamente autorizou a transferência. A movimentação financeira foi um dos elementos considerados no pedido de prisão temporária do investigado.

O que diz a defesa

O homem preso nega envolvimento tanto no desaparecimento quanto na morte de Isabel.

O advogado Matheus Kehl declarou anteriormente que o cliente vinha colaborando com a investigação e destacou que a prisão temporária é uma medida utilizada para permitir o aprofundamento das investigações, não representando uma condenação.

A defesa também afirmou que o investigado já havia prestado depoimentos antes de ser preso.

Causa da morte ainda depende da perícia

Até a divulgação das informações disponíveis nesta madrugada de quarta-feira (16), a causa exata da morte de Isabel ainda não havia sido oficialmente confirmada.

O delegado-chefe da 16ª Subdivisão Policial, Nilson Rodrigues da Silva, informou que a necropsia deverá apontar se houve esganamento, ferimentos ou outra causa.

Portanto, embora a polícia trate o caso como uma morte criminosa e avance na apuração, ainda há questões que dependem dos exames da Polícia Científica.

O que ainda precisa ser esclarecido

A investigação deverá buscar respostas principalmente para quatro pontos: a data e a causa exatas da morte de Isabel; quem utilizou o celular dela durante o período em que a família recebeu mensagens; em quais circunstâncias ocorreu a transferência de aproximadamente R$ 80 mil; e se o homem preso agiu sozinho ou se houve participação de outras pessoas.

O delegado Luã Mota informou que a expectativa é concluir o inquérito dentro do prazo da prisão temporária, de 30 dias, e posteriormente encaminhar o procedimento ao Ministério Público. A polícia também deverá decidir se pedirá a conversão da prisão temporária em preventiva.

O caso provocou grande repercussão em Campo Mourão e em toda a região. Durante 11 dias, familiares aguardaram informações sobre o paradeiro de Isabel. Com a localização do corpo, termina a busca, mas começa uma nova etapa da investigação para esclarecer completamente o que aconteceu e definir as responsabilidades.

Fontes consultadas: informações divulgadas pela Polícia Civil e repercutidas pela Tribuna do Interior, CRN1, CBN Maringá e TNOnline.