Em Janiópolis, a memória da Princesa Isabel que em um dia como hoje, 13 de maio de 1888, assinou o documento que aboliu oficialmente a escravidão no Brasil, está presente no cotidiano dos moradores de uma forma muito concreta: uma das ruas da cidade leva o seu nome. A Rua Princesa Isabel localiza-se na Vila São João e se estende pelos conjuntos habitacionais Pedro França, Primavera e Jardim Pinhalzinho, sendo uma das vias mais residenciais e tranquilas da cidade.

Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon foi a filha mais velha do imperador Dom Pedro II e da imperatriz Teresa Cristina. Como herdeira do trono do Império do Brasil, governou o país por três vezes como regente, nas ausências de seu pai.

Foi durante sua terceira regência que ocorreu o ato que a tornaria imortal na história do Brasil. Com uma canetada que emocionou o país, Isabel assinou a Lei Áurea, a Lei nº 3.353, que declarava extinta a escravidão em todo o território nacional. O povo nas ruas a aclamou com o título que carregaria para sempre: a Redentora.

O gesto, porém, teve um preço político alto. A nobreza e os grandes fazendeiros, insatisfeitos com a abolição e com o apoio da família imperial à causa, retiraram seu apoio à monarquia. Pouco mais de um ano depois, em 15 de novembro de 1889, a República foi proclamada e a família imperial foi exilada para a Europa.

Isabel nunca mais voltou ao Brasil. Faleceu na França, em 14 de novembro de 1921, aos 75 anos, longe da terra que ela havia libertado. Seus restos mortais foram trazidos de volta ao Brasil em 1953 e repousam na Catedral Imperial de Petrópolis, no Rio de Janeiro, ao lado de seu pai Dom Pedro II.

Seu nome segue vivo em praças, escolas e ruas por todo o Brasil, inclusive em Janiópolis, onde a Rua Princesa Isabel guarda, em seu nome, a memória de uma mulher que escolheu a justiça quando poucos tinham coragem de fazê-lo.

Na rua, o comércio é discreto, destaque para a conhecida lanchonete e pastelaria do Batata, ponto de encontro dos moradores do Conjunto Pedro França. A rua abriga também vários pioneiros de Janiópolis, pessoas que ajudaram a construir a história do município tijolo a tijolo.

É inclusive nessa rua que mora o diretor do Alô Janiópolis, o radialista e servidor público Nelson Silva, que há anos acompanha e registra a história da cidade e de sua gente.

Hoje, a data é um convite à reflexão. Celebrar o 13 de maio é reconhecer a dívida histórica do Brasil com os descendentes de africanos escravizados, valorizar a riquíssima contribuição da cultura negra para a formação do povo brasileiro e reafirmar o compromisso com uma sociedade mais justa, igualitária e livre de qualquer forma de preconceito e discriminação.

A história da escravidão não pertence apenas aos livros. Ela vive na música, na culinária, na religiosidade, nas tradições e no cotidiano de cada brasileiro, lembrando que a liberdade é um valor que precisa ser conquistado e defendido todos os dias.

Nesta quarta-feira, 13 de maio, o Brasil celebra os 137 anos da assinatura da Lei Áurea, um dos marcos mais importantes da história do país. Em tempo, Janiópolis também tem uma de nome Treze de Maio, localizada no Jardim Pinhalzinho entre as Avenidas Goioerê e São João.

A escravidão no Brasil foi um dos capítulos mais sombrios da nossa história. Estima-se que cerca de 4 milhões de africanos foram trazidos à força para o país entre os séculos XVI e XIX, arrancados de suas famílias, de suas culturas e de sua liberdade para servir de mão de obra nas lavouras, minas e casas dos senhores coloniais. O sofrimento dessas pessoas e de seus descendentes marcou gerações e deixou cicatrizes profundas na sociedade brasileira.

A luta pela liberdade, no entanto, nunca cessou. Muito antes da Lei Áurea, escravizados resistiam das mais diversas formas, das fugas e formação de quilombos à resistência cultural, preservando línguas, religiões e tradições africanas que até hoje fazem parte da identidade brasileira. Nomes como Zumbi dos Palmares tornaram-se símbolos eternos dessa resistência.

A abolição formal, porém, não veio acompanhada de políticas de inclusão. Os libertos foram deixados à própria sorte, sem terra, sem educação e sem amparo, o que gerou desigualdades que ainda reverberam na sociedade brasileira mais de um século depois.