Se as mulheres de Janiópolis têm o direito de votar hoje, é porque muita luta aconteceu ao longo da história do Brasil. A conquista do voto feminino, oficializada em 24 de fevereiro1932, abriu as portas da democracia para as mulheres. No entanto, embora o direito esteja garantido há 94 anos, a participação feminina na política ainda caminha em ritmo mais tímido, inclusive no cenário local.
Em Janiópolis, a presença das mulheres nas eleições mostra
uma trajetória marcada por persistência, desafios e importantes conquistas.
A primeira eleita
A primeira mulher eleita vereadora no município foi a
professora Sônia Lúcia Albuquerque, na eleição de 1982, com 234 votos. Naquele
mesmo pleito, outras mulheres também colocaram seus nomes à disposição da
população, sendo Helena Magalhães que foi candidata a vice-prefeita, e Áurea
Vieira Martins e Agostina Aparecida de Souza que disputaram vaga na Câmara, mas
não se elegeram.
Em 1988, apenas Sônia Lúcia voltou a disputar a eleição, mas
não conseguiu a reeleição.
Anos de pouca representatividade
Na eleição de 1992, apenas duas mulheres foram candidatas, Margareth
Megumi Iwamoto Soares e Carolina Maria da Conceição Alves, e nenhuma se elegeu.
Em 1996, o número de candidatas aumentou para seis, mas
novamente nenhuma conquistou vaga. A mais votada foi Maria Stela Fonseca
Custódio, com 155 votos.
Em 2000, nove mulheres disputaram a eleição, mas nenhuma foi
eleita. Ângela Maria Nena foi a mais votada, com 157 votos.
Já em 2004, apenas três candidatas concorreram, sem êxito.
Maria Fátima Freire foi a mais votada, com 204 votos.
Em 2008, Elizabeth dos Santos Vale foi a única candidata
mulher e obteve 171 votos, mas também não se elegeu.
Novo avanço em 2012
Somente em 2012 Janiópolis voltou a eleger uma mulher para o
Legislativo. Entre 13 candidatas registradas, Sirlene Maria Nunes de Almeida
foi eleita vereadora com 285 votos, tornando-se a segunda mulher a ocupar uma
cadeira na Câmara Municipal.
Oscilações e persistência
Nas eleições seguintes, a presença feminina continuou
numerosa nas candidaturas, mas nem sempre convertida em mandatos.
Em 2016 (ano em que foram registradas 12 candidatas),
nenhuma mulher foi eleita, sendo Sandra de Bragápolis a mais votada, com 94
votos.
Em 2020, 12 mulheres disputaram a eleição. A mais votada foi
Professora Michiko, com 143 votos, mas também não conquistou vaga.
Um novo momento em 2024
A eleição de 2024 marcou um avanço significativo na
representatividade feminina em Janiópolis. O município elegeu uma mulher para o
cargo de vice-prefeita, Professora Suzi, além de duas vereadoras: Ingrid
Ferreira, com 230 votos, e Sílvia Poera, com 214 votos.
Na mesma eleição, Professora Michiko foi candidata a
vice-prefeita, e outras 15 mulheres disputaram cargos no Legislativo.
Uma leitura da participação feminina
A análise histórica mostra que, embora o número de
candidatas tenha aumentado ao longo dos anos, impulsionado também pela
legislação que estabelece cota mínima de candidaturas femininas, a
transformação dessas candidaturas em mandatos ainda enfrenta obstáculos.
Por décadas, Janiópolis teve presença feminina quase
inexistente na Câmara. Nos últimos anos, porém, observa-se um movimento de
fortalecimento, com maior número de mulheres disputando eleições e, mais
recentemente, ampliando a ocupação de cargos eletivos.
A conquista do voto foi apenas o primeiro passo. A
participação efetiva nas decisões políticas é um processo contínuo, que envolve
mudança cultural, incentivo à liderança feminina e apoio da sociedade.
A história de Janiópolis mostra que cada candidatura
representou coragem. E cada eleição vencida simboliza avanço. A democracia se
fortalece quando homens e mulheres participam de forma equilibrada da
construção do futuro do município.







0 Comentários