Quem caminha hoje pelas ruas de Janiópolis dificilmente encontrará um telefone público em funcionamento. O tradicional orelhão, que por décadas foi sinônimo de comunicação acessível, já não existe mais em operação no município, confirmando uma realidade que se espalha por todo o Brasil: o desaparecimento definitivo desse equipamento urbano.
A retirada dos telefones públicos faz parte de um movimento
nacional regulamentado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Desde o encerramento dos contratos de concessão da telefonia fixa, as
operadoras passaram a desativar gradualmente os aparelhos, acompanhando a queda
expressiva no uso provocada pela popularização dos celulares e da internet
móvel. A previsão é de que os orelhões sejam totalmente desativados até 31 de
dezembro de 2028, restando apenas alguns poucos em áreas sem cobertura adequada
de telefonia móvel.
Em outras cidades da microrregião, os equipamentos já foram
removidos ou desativados por completo, situação semelhante à de Janiópolis, que
não conta mais com nenhum telefone público em funcionamento.
Na região da Comcam (Comunidade dos Municípios da Região de
Campo Mourão), restam poucos orelhões ativos em funcionamento. Barbosa Ferraz
lidera com dois aparelhos; Moreira Sales, Campina da Lagoa, Engenheiro Beltrão,
Iretama, Luiziana e Nova Cantu possuem um cada; e Campo Mourão, principal
cidade da região, também já não dispõe de nenhum telefone público operacional.
Durante muitos anos, o orelhão foi essencial. Era o meio
mais rápido para emergências, recados urgentes e contatos fora de casa. Cartões
telefônicos, filas em horários de pico e cabines espalhadas pelas praças e
avenidas faziam parte da rotina urbana.
Com o avanço da tecnologia e a ampla adoção dos smartphones,
o uso desses equipamentos tornou-se cada vez mais raro, tornando sua manutenção
economicamente inviável para as operadoras. O que antes era indispensável, hoje
é lembrado com nostalgia, especialmente pelos moradores mais antigos.
Em Janiópolis, o fim dos orelhões representa mais do que a
retirada de um equipamento: simboliza uma transformação no modo de se
comunicar. O desaparecimento desses aparelhos marca o encerramento de um
capítulo importante da história das telecomunicações e da própria vida
cotidiana da cidade.

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