O cachorro conhecido como Orelha, um animal comunitário da Praia Brava, em Florianópolis (SC), morreu após sofrer agressões graves no início de janeiro de 2026. Ele vivia há cerca de 10 anos na região, sendo alimentado, cuidado e respeitado por moradores e visitantes, tornando-se parte da rotina e do carinho coletivo da comunidade.
Segundo a investigação da Polícia Civil de Santa Catarina,
quatro adolescentes são suspeitos de terem atacado Orelha, deixando o animal
com ferimentos muito graves. Ele chegou a desaparecer por alguns dias e foi
encontrado depois por moradores em estado de agonia. Orelha foi levado
imediatamente a uma clínica veterinária, mas, devido à gravidade das lesões
causadas pelos maus-tratos, os veterinários, em conjunto com quem o
acompanhava, optaram pela eutanásia para evitar que ele continuasse sofrendo.
A investigação trata o caso como crime de maus-tratos a
animais, com cumprimento de mandados de busca e apreensão em residências
ligadas aos suspeitos e aos seus responsáveis. Também são apuradas possíveis
tentativas de coação de testemunhas por parte de adultos.
A morte de Orelha gerou comoção nacional. Houve protestos,
homenagens e pedidos de justiça em várias cidades do país. O caso ultrapassou a
notícia policial e se transformou em símbolo de uma discussão maior: a forma
como a sociedade encara a violência contra os animais.
O Brasil inteiro se revoltou com a história de um cão que
era cuidado por moradores durante anos e que teve a vida interrompida por uma
crueldade difícil de compreender. Mas essa indignação não pode ficar restrita
às redes sociais, às manchetes e à comoção passageira.
Ela precisa virar posicionamento.
Porque a verdade é dura: situações de abandono, maus-tratos
e sofrimento animal não estão distantes da nossa realidade. Elas acontecem em
cidades pequenas, em bairros conhecidos, em ruas por onde passamos todos os
dias, muitas vezes sob o silêncio que finge que não vê.
O caso de Orelha escancarou algo que preferimos não encarar:
a violência contra animais não começa no ato extremo. Ela nasce na indiferença,
na omissão, na normalização do abandono, no “isso sempre foi assim”.
E é justamente isso que a morte de Orelha transformou em
protesto.

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