Paulo Conrado da Silva, conhecido no rádio como Conrado Júnior, nasceu em 26 de abril de 1961, na Gleba 9, município de Janiópolis (PR). Hoje, aos 64 anos, carrega uma trajetória marcada pela simplicidade, pelo trabalho árduo e por um amor profundo pelo rádio — meio que o consagrou como uma das vozes mais representativas de Janiópolis na região.

Sua infância foi extremamente humilde. Desde pequeno, passou a morar no sítio de Raimundo Claro Filho, conhecido como Raimundo Cearense, localizado onde hoje se encontra a Associação dos Funcionários Públicos (Pedra Branca), em Janiópolis. Ali viveu até os 11 anos de idade, imerso nos costumes da época.

Durante o dia, os pais e os irmãos trabalhavam na roça. À noite, após a janta, vinham os momentos mais marcantes: as brincadeiras no terreiro e as histórias contadas pelo pai, que despertavam a imaginação, os valores e os sonhos do menino janiópolense.

A juventude foi marcada por muitas dificuldades, falta de dinheiro e muito trabalho no campo. Ainda assim, foi nesse ambiente simples que nasceu sua maior paixão.

O amor pelo rádio surgiu ainda na infância, quando seu pai comprou um rádio de mesa. Conrado tinha cerca de 7 ou 8 anos e passou a ouvir, todas as manhãs, o programa de Moreno e Moreninho, na Rádio 9 de Julho, de São Paulo.

À noite, acompanhava grandes nomes do rádio nacional, como Edgar de Souza, na Rádio Nacional de São Paulo; José Russo, na Rádio Record; José Bétio e Eli Corrêa, já na Rádio Globo. Também ouvia com frequência a Rádio Goioerê, emissora que, anos depois, faria parte definitiva de sua história.

O desejo de falar ao microfone aumentava sempre que frequentava festas, quermesses e torneios de futebol em Janiópolis, onde havia serviços de som e locutores animando o público. Conrado observava atentamente e sentia crescer dentro de si a vontade de um dia estar ali, falando para as pessoas.

Em 1979, seu pai arrendou um sítio próximo ao local onde Conrado nasceu, no bairro Ouro Verde, Gleba 9, em Janiópolis. Foi nesse período que ele realizou o sonho de falar pela primeira vez ao microfone, animando quermesses e, posteriormente, jogos de futebol à beira dos campos.

Nesse caminho, conheceu Nelson Silva, também morador de Janiópolis. Juntos, passaram a narrar jogos de futebol e animar festas, realizando inúmeras locuções pela região.

Antes disso, Conrado já acompanhava atentamente um serviço de som existente na cidade, que funcionava como uma espécie de rádio local. O locutor chamava-se Silvio Souza. Ele ouvia com admiração e sonhava, ao menos, em dar um “alô” no alto-falante — sonho que ficou guardado, esperando a oportunidade certa.

A oportunidade começou a surgir quando o amigo José Amâncio os convidou para fazer um teste na Rádio Humaitá de Campo Mourão, onde trabalhava o conterrâneo Acir Gonçalves. Em 1989, Paulo Conrado realizou o teste e, para sua surpresa, foi aprovado. Pouco tempo depois, já apresentava um programa sertanejo nas noites de sábado.

A sensação foi inexplicável: um misto de emoção, nervosismo e esperança. Suas primeiras experiências profissionais no rádio aconteceram na Rádio Humaitá de Campo Mourão e também na Rádio Goioerê. No entanto, permaneceu pouco tempo em Campo Mourão, devido à distância e a dificuldades pessoais.

Mesmo diante dos obstáculos, não desistiu do sonho. Tentou oportunidades por duas vezes na Rádio Goioerê, mas recebeu negativas. Em seguida, realizou um teste na Rádio Panorama de Moreira Sales, foi aprovado, porém não conseguiu uma casa para alugar, o que impossibilitou sua permanência.

Poucos dias depois, no ano de 1994, ouviu o gerente e locutor Vacir Ferreira, da Rádio Goioerê, anunciar que a emissora estava avaliando interessados em se tornar locutores. Conrado foi até a rádio e, para sua grande alegria, foi aprovado.

Foi registrado e segue até hoje na emissora, realizando um dos maiores sonhos de sua vida e levando, diariamente, o nome de Janiópolis para toda a região.

Os programas que mais marcaram sua trajetória foram aqueles apresentados pelo locutor Roberto Cortês, falecido em 22 de janeiro de 2026. Eram os horários que Conrado mais gostava de ouvir e, por um capricho do destino, foram exatamente os horários que passou a apresentar.

Sempre se identificou com o estilo sertanejo, que se tornou sua marca no rádio. Suas principais referências foram Eli Corrêa, Paulo Barbosa e Paulinho Boa Pessoa.

Entre as histórias curiosas, há uma pouco conhecida: certa vez, após uma noite mal dormida, acabou cochilando durante o programa e percebeu isso justamente ao término do bloco comercial — um momento ao mesmo tempo engraçado e preocupante.

Os momentos emocionantes foram muitos. Um dos mais marcantes foi o quadro “Oração da Manhã”, levado ao ar por muitos anos às 6h. Nele, ouvintes pediam orações e testemunhavam graças alcançadas pela fé. Um caso inesquecível foi o de uma ouvinte que pediu a graça de ser mãe — pedido que foi atendido. Anos depois, ela retornou à rádio para dar seu testemunho, e hoje sua filha é uma linda adolescente.

Um dos momentos mais tristes de sua trajetória foi quando precisou interromper o programa ao vivo ao receber a notícia do falecimento de sua mãe.

Desde o início, sua relação com os ouvintes sempre foi marcada por carinho, respeito, reconhecimento e muitos elogios.

Na sua visão, o rádio do passado era mais mágico, emocionante e natural. Hoje, apesar de toda a tecnologia, parte da essência e do prazer de ouvir rádio se perdeu. Ainda assim, Conrado acredita que, mesmo com tantos meios de comunicação, o rádio continua sendo um dos veículos de maior credibilidade, embora não tenha mais a mesma força de antigamente.

Seu nome artístico surgiu quando ingressou na Rádio Goioerê. Na época, a emissora já contava com vários “Paulos”: Paulo Marcos, Paulo Rostan, Paulo Augusto e Paulo Felix. Mais um Paulo seria demais — e assim nasceu Conrado Júnior, nome que o acompanha até hoje.

Para Conrado Júnior, o rádio representa sua realização profissional. Ele se sente lisonjeado e profundamente agradecido pelo carinho e respeito recebidos ao longo dos anos.

Agradece a todos que o acompanharam, apoiaram e acreditaram em sua caminhada, em especial à sua esposa Sirene, que sempre esteve ao seu lado, apoiando e incentivando em todos os momentos.

“Jamais devemos desistir de lutar pelos nossos sonhos.”

Conrado nos Estúdios da Rádio Goioerê

Conrado nos estúdios da RG AM

Conrado nos estúdios da Rádio Goioerê

Conrado com a esposa Sirene e os filhos

Com a esposa Sirene e os filhos

Os pais de Conrado Junior

Entrevistando o presidente da COAMO José Aroldo Galassini

Em campo fazendo reportagem

Na festa de Santo Reis na Vila Seca com Ademir Lages e Oclécio Menezes

Entrevistando o Padre José

Entrevistando o prefeito de Janiópolis Eides Guedes

Com os irmãos no sítio

Conrado e Esposa com Nelson Silva

Com o prefeito Eides Guedes e Vacir Ferreira, gerente da Rádio Goioerê