Sua infância foi extremamente humilde. Desde pequeno, passou
a morar no sítio de Raimundo Claro Filho, conhecido como Raimundo Cearense,
localizado onde hoje se encontra a Associação dos Funcionários Públicos (Pedra
Branca), em Janiópolis. Ali viveu até os 11 anos de idade, imerso nos costumes
da época.
Durante o dia, os pais e os irmãos trabalhavam na roça. À
noite, após a janta, vinham os momentos mais marcantes: as brincadeiras no
terreiro e as histórias contadas pelo pai, que despertavam a imaginação, os
valores e os sonhos do menino janiópolense.
A juventude foi marcada por muitas dificuldades, falta de
dinheiro e muito trabalho no campo. Ainda assim, foi nesse ambiente simples que
nasceu sua maior paixão.
O amor pelo rádio surgiu ainda na infância, quando seu pai
comprou um rádio de mesa. Conrado tinha cerca de 7 ou 8 anos e passou a ouvir,
todas as manhãs, o programa de Moreno e Moreninho, na Rádio 9 de Julho, de São
Paulo.
À noite, acompanhava grandes nomes do rádio nacional, como
Edgar de Souza, na Rádio Nacional de São Paulo; José Russo, na Rádio Record;
José Bétio e Eli Corrêa, já na Rádio Globo. Também ouvia com frequência a Rádio
Goioerê, emissora que, anos depois, faria parte definitiva de sua história.
O desejo de falar ao microfone aumentava sempre que
frequentava festas, quermesses e torneios de futebol em Janiópolis, onde havia
serviços de som e locutores animando o público. Conrado observava atentamente e
sentia crescer dentro de si a vontade de um dia estar ali, falando para as
pessoas.
Em 1979, seu pai arrendou um sítio próximo ao local onde
Conrado nasceu, no bairro Ouro Verde, Gleba 9, em Janiópolis. Foi nesse período
que ele realizou o sonho de falar pela primeira vez ao microfone, animando
quermesses e, posteriormente, jogos de futebol à beira dos campos.
Nesse caminho, conheceu Nelson Silva, também morador de
Janiópolis. Juntos, passaram a narrar jogos de futebol e animar festas,
realizando inúmeras locuções pela região.
Antes disso, Conrado já acompanhava atentamente um serviço
de som existente na cidade, que funcionava como uma espécie de rádio local. O
locutor chamava-se Silvio Souza. Ele ouvia com admiração e sonhava, ao menos,
em dar um “alô” no alto-falante — sonho que ficou guardado, esperando a
oportunidade certa.
A oportunidade começou a surgir quando o amigo José Amâncio
os convidou para fazer um teste na Rádio Humaitá de Campo Mourão, onde
trabalhava o conterrâneo Acir Gonçalves. Em 1989, Paulo Conrado realizou o
teste e, para sua surpresa, foi aprovado. Pouco tempo depois, já apresentava um
programa sertanejo nas noites de sábado.
A sensação foi inexplicável: um misto de emoção, nervosismo
e esperança. Suas primeiras experiências profissionais no rádio aconteceram na
Rádio Humaitá de Campo Mourão e também na Rádio Goioerê. No entanto, permaneceu
pouco tempo em Campo Mourão, devido à distância e a dificuldades pessoais.
Mesmo diante dos obstáculos, não desistiu do sonho. Tentou
oportunidades por duas vezes na Rádio Goioerê, mas recebeu negativas. Em
seguida, realizou um teste na Rádio Panorama de Moreira Sales, foi aprovado,
porém não conseguiu uma casa para alugar, o que impossibilitou sua permanência.
Poucos dias depois, no ano de 1994, ouviu o gerente e
locutor Vacir Ferreira, da Rádio Goioerê, anunciar que a emissora estava
avaliando interessados em se tornar locutores. Conrado foi até a rádio e, para
sua grande alegria, foi aprovado.
Foi registrado e segue até hoje na emissora, realizando um
dos maiores sonhos de sua vida e levando, diariamente, o nome de Janiópolis
para toda a região.
Os programas que mais marcaram sua trajetória foram aqueles
apresentados pelo locutor Roberto Cortês, falecido em 22 de janeiro de 2026.
Eram os horários que Conrado mais gostava de ouvir e, por um capricho do
destino, foram exatamente os horários que passou a apresentar.
Sempre se identificou com o estilo sertanejo, que se tornou
sua marca no rádio. Suas principais referências foram Eli Corrêa, Paulo Barbosa
e Paulinho Boa Pessoa.
Entre as histórias curiosas, há uma pouco conhecida: certa
vez, após uma noite mal dormida, acabou cochilando durante o programa e
percebeu isso justamente ao término do bloco comercial — um momento ao mesmo
tempo engraçado e preocupante.
Os momentos emocionantes foram muitos. Um dos mais marcantes
foi o quadro “Oração da Manhã”, levado ao ar por muitos anos às 6h. Nele,
ouvintes pediam orações e testemunhavam graças alcançadas pela fé. Um caso
inesquecível foi o de uma ouvinte que pediu a graça de ser mãe — pedido que foi
atendido. Anos depois, ela retornou à rádio para dar seu testemunho, e hoje sua
filha é uma linda adolescente.
Um dos momentos mais tristes de sua trajetória foi quando
precisou interromper o programa ao vivo ao receber a notícia do falecimento de
sua mãe.
Desde o início, sua relação com os ouvintes sempre foi
marcada por carinho, respeito, reconhecimento e muitos elogios.
Na sua visão, o rádio do passado era mais mágico,
emocionante e natural. Hoje, apesar de toda a tecnologia, parte da essência e
do prazer de ouvir rádio se perdeu. Ainda assim, Conrado acredita que, mesmo
com tantos meios de comunicação, o rádio continua sendo um dos veículos de
maior credibilidade, embora não tenha mais a mesma força de antigamente.
Seu nome artístico surgiu quando ingressou na Rádio Goioerê.
Na época, a emissora já contava com vários “Paulos”: Paulo Marcos, Paulo
Rostan, Paulo Augusto e Paulo Felix. Mais um Paulo seria demais — e assim
nasceu Conrado Júnior, nome que o acompanha até hoje.
Para Conrado Júnior, o rádio representa sua realização
profissional. Ele se sente lisonjeado e profundamente agradecido pelo carinho e
respeito recebidos ao longo dos anos.
Agradece a todos que o acompanharam, apoiaram e acreditaram
em sua caminhada, em especial à sua esposa Sirene, que sempre esteve ao seu
lado, apoiando e incentivando em todos os momentos.
“Jamais devemos desistir de lutar pelos nossos sonhos.”















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