O velório de Pelé, o rei do futebol, será realizado na segunda-feira (2), segundo informações divulgadas pelo Santos Futebol Clube. O "atleta do século" morreu na tarde desta quinta-feira (29) no Hospital Albert Einstein, em São Paulo.
O corpo de Pelé será velado no Estádio Urbano Caldeira, a
Vila Belmiro, em Santos. O corpo do rei do futebol deixará São Paulo e seguirá
para o estádio na madrugada de segunda-feira (2).
O caixão será posicionado no centro do gramado. A previsão é
que o velório comece às 10h de segunda-feira e seja aberto ao público.
O velório deve continuar até as 10h de terça-feira (3),
quando será realizado um cortejo pelas ruas de Santos. O cortejo passará pelo
Canal 6, onde mora a mãe de Pelé, dona Celeste, seguindo para o Memorial
Necrópole Ecumênica para sepultamento reservado aos familiares.
O Hospital Albert Einstein divulgou um boletim médico
confirmando que Pelé faleceu às 15h27, desta quinta-feira (29/12) "em
decorrência da falência de múltiplos órgãos, resultado da progressão do câncer
de cólon associado à sua condição clínica prévia".
Em nota, o hospital se solidarizou com a família e todos que
sofrem com a perda do Rei do Futebol.
A história do maior jogador do Mundo
Dizem que todas as histórias têm um começo, um meio e um fim. Nem todas. O roteiro de vida que Pelé escreveu com os pés, pelos campos do planeta, não tem ponto final. É uma história que vai continuar sendo contada e recontada, de geração a geração, gol a gol.
A cada imagem revisitada de um personagem que nasceu para se
tornar imortal, para se tornar uma lenda.
A saga do menino pobre que nasceu num lugar escondido entre
as montanhas de Minas Gerais: Três Corações, uma cidade que viveu às escuras
até 1940. Quando a luz chegou, a alegria foi tanta que um dos moradores decidiu
dar ao filho que nascia um nome em homenagem ao inventor da lâmpada elétrica:
Thomas Edison.
E veio então ao mundo uma criança iluminada: Edison Arantes
do Nascimento. O filho primogênito do casal Dondinho e Celeste. Dondinho era
jogador do time de futebol local. O pequeno Edison ainda era chamado de Dico,
quando toda a família se mudou para Bauru, em São Paulo. O pai tinha recebido
proposta para trocar de clube.
Dico cresceu e ganhou a rua. Aos 6 anos, já se dividia entre
os estudos e os chutes em bola de meia. Em Bauru, foi chamado pela primeira vez
de Pelé.
“Aí o garoto chamou ‘Pelé’, eu não sei se foi uma
brincadeira, se eu falei alguma coisa errada, se foi uma piada. Eu briguei com
ele porque eu não queria o apelido de Pelé, uma coisa feia, eu achava na época.
Toda a garotada do prédio, as meninas, começaram a chamar ‘Pelé, Pelé’, e eu
brigava com todo mundo. Foi assim que eu peguei o apelido Pelé, sem saber
porque e hoje eu adoro, porque é um nome conhecido no mundo todo”, contou o Rei
do Futebol.
A fama mundial só viria uma década depois do novo apelido,
mas o franzino herdeiro de Dondinho já era um craque com a bola no pé.
Com 9 anos, Pelé viu o pai chorar, na derrota para o Uruguai
em plena final da Copa e lançou uma profecia:
“Brinquei com meu pai, 'não chora, não, pai, eu vou ganhar
uma Copa para você". Oito anos depois, 1958, eu estava na Suécia”,
relembrou Pelé.
O garoto tinha mesmo futuro. Aos 13 anos, já era titular do
Baquinho, a divisão de base do Bauru Atlético Clube.
Técnico do time, o ex-jogador da seleção, Waldemar de Brito
percebeu logo que Pelé era um fora de série. Waldemar tinha contatos no Santos
e convenceu Dondinho e dona Celeste a tentar a sorte num grande clube.
Santos e Pelé. Pelé e Santos. Uma tabelinha que deu muito
certo. No único clube brasileiro que defendeu, Pelé jogou 19 temporadas, ganhou
26 títulos. Com ele em campo, o Santos conquistou seis campeonatos brasileiros,
duas Taças Libertadores da América e dois Mundiais Interclubes.
Vestindo a camisa 10, que se tornaria marca registrada, Pelé
fez muitos, muitos gols: 1.091 para ser mais preciso. O primeiro foi marcado
logo na estreia, ainda em 1956. A goleada sobre o Corinthians de Santo André
teve pouco destaque na imprensa e o nome da jovem promessa ainda saiu errado:
'Telé'.
Mas em pouco tempo o nome Pelé estaria na boca de todo o
país e o sonho de jogar na Seleção parecia mais real a cada dia. Com apenas 16
anos, Pelé tomou um susto ao ouvir a notícia pelo rádio.
Um ano depois, Pelé estava na Copa, ele se divertia como um adolescente. Começou o Mundial na reserva e só foi estrear na terceira partida, na vitória sobre a União Soviética. Não saiu mais. Pelé ainda não sabia, mas estava prestes a entrar para a história como o jogador mais jovem a ganhar uma Copa.
Na virada contra a Suécia na decisão, ele fez outros dois
gols. Um deles, presente em qualquer antologia do futebol. Brasil 5 a 2. Brasil
campeão do mundo, era emoção demais para um garoto de 17 anos.
Na Copa do Chile, em 1962, marcou logo na estreia, mas uma
contusão o tirou do segundo jogo. Teve que ver o bicampeonato mundial na
arquibancada.
Também não deu sorte na Copa de 66 na Inglaterra. Caçado em
campo no terceiro jogo contra Portugal, jogou o segundo tempo machucado e o
Brasil foi eliminado.
No Santos, a rotina de gols e títulos se manteve. Dia 19 de
novembro de 1969, em um jogo contra o Vasco, chegou a uma marca histórica.
“Pênalti! Está aí o momento mais emocionante do futebol em
1969. A segundos do gol do século. Atenção, caminha Pelé, chutou é gol! Gol de
Pelé! Pelé, mil gols! Pelé, o mundo aos seus pés!”, narrou o Waldir Amaral, no
milésimo gol de Pelé.
E Pelé tinha fôlego para mais. A Copa de 70 no México foi a
última, inesquecível. Fez quatro gols, deu o passe açucarado para Carlos
Alberto Torres marcar aquele que virou o símbolo do tri.
Três lances desse Mundial não balançaram a rede, mas
entraram para a história.
O chute do meio-campo contra a Tchecoslováquia. A cabeçada
para a incrível defesa do inglês Banks e o drible sem bola no uruguaio
Mazurkiewicz.
Pelé vestiu pela última vez a camisa do Santos em 1974 na Vila Belmiro. Sua casa por quase duas décadas, chorou como uma criança. Era a segunda despedida, não seria a definitiva.
A saudade da bola falou mais alto. Na temporada seguinte,
uma proposta milionária convenceu Pelé a aceitar um desafio: popularizar o
futebol nos Estados Unidos. No NY Cosmos ele chegou aos 1.282 gols e conquistou
o 32º título da carreira.
Em 1977, finalmente deu adeus aos campos em um amistoso
entre o Santos e o Cosmos. Deixou a marca de artilheiro na última despedida.
Deixou muito mais.
Deixou um nome que virou adjetivo: Pelé, o Pelé dos
futebolistas. Pelé, o rei que reinventou o futebol. Pelé, o eterno namorado da
bola.
“Querida bola, se existe uma coisa importante no mundo, é
você. Se Deus mandou você para mim, e ter tanta liberdade, tanta amizade com
você, é porque Deus me ama”, disse o rei.
Fonte: G1/Globo



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