A Câmara de Vereadores de Janiópolis ficou lotada na noite desta segunda-feira (18/07), quando aconteceu sessão solene para homenagear a pioneira Etelvina Barros Freire. Ela recebeu uma Moção de Aplausos em reconhecimento aos relevantes serviços prestados a comunidade janiopolense na área social e ficou bastante emocionada.

Dona Etelvina, 92 anos, sempre foi considerada uma pessoa bondosa por acolher os mais necessitados em sua casa e uma de suas lutas foi em favor da Vila Nazaré, juntamente com o saudoso padre Vicente. “Tudo que fiz foi por amor ao próximo e quem mais se sente feliz sou eu. Acho que eu é que fui ajudada pelas pessoas”, disse a homenageada.

O presidente da Câmara, Elias Veloso Braga, autor da proposta que concedeu a Moção de Aplauso disse estar muito feliz em ver uma pessoa simples e humilde sendo reconhecida.

O vereador José Barros Freire – Jerry, filho da Dona Etelvina disse que foi o último dos vereadores a saber que a Câmara faria a homenagem. “Eu confesso que chorei quando soube, pois minha mãe merece o reconhecimento”, frisou.

Durante a sessão, todos os vereadores fizeram uso da palavra e enalteceram o trabalho voluntário de Dona Etelvina em favor dos mais necessitados. O vice-prefeito Eides Guedes também esteve presente e durante seu discurso fez uma narrativa da luta da homenageada que além de criar 12 filhos foi mãe adotiva de outros 7 filhos. “É uma honra poder homenagear a senhora que tanto se dedicou as causas sociais do nosso povo. Parabéns Dona Etelvina e sua maravilhosa família”, disse Eides.





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ABAIXO O HISTÓRICO DE VIDA DA HOMENAGEADA

O mês de outubro no Estado do Ceará é de muita seca, mas já com a expectativa da chegada das chuvas. Contudo, chovendo ou não, nasce em Assaré, em 05 de outubro de 1930, uma menina que recebeu o nome de Etelvina, que já tinha cinco irmãos, após ela, nasceu Francisco, que viveu em Janiópolis por algum tempo, seus pais, Frutuoso e Júlia.

Dona Júlia, mãe de Etelvina, viveu em nossa cidade entre os anos de 1975 a 1997, conhecida por muitos como vovó Julinha, faleceu aos 106 anos e descansa no jazigo da família no Cemitério Municipal.

Como é de conhecimento de todos, a vida do nordestino nunca foi de facilidades. Para a menina Etelvina não era diferente, mesmo diante a tantas atrocidades, falta de água, vida dura na roça, alimentos escassos, essa menina cresceu, chegou a adolescência, entrou na mocidade, sempre com esperança de dias melhores.

Em 1949, casou-se com Antônio Barros Freire, ambos, acalentando o sonho de sair daquela situação de dificuldades, partiram num caminhão “pau de arara” e se estabeleceram em Ilhéus na Bahia, onde nasce no ano de 1951, seu primeiro filho: José Barros Freire – codinome Jerry (hoje vereador dessa casa de Leis) e, no ano de 1952, partem para São Paulo onde tem mais dois filhos: Maria de Fátima ( professora) e Osvaldo.

Determinados e obstinados por uma vida melhor, continuam sua busca por um lugar para se estabelecer, com este objetivo, chegam em Janiópolis por volta de 1954, onde vem ao encontro de Vicente Rodrigues Barros, irmão de Etelvina, à época, comerciante, açougueiro nesta cidade.

Aqui chegando, região Sul do País, desejo de grande parte dos nordestinos, percebeu-se que não havia escassez de água, porém a luta seria, se não igual, maior que no Ceará. E assim, enfrentam outros reveses da vida. Não obstante a esses reveses, D. Etelvina gerou neste pedaço de chão 9 filhos: Orlando, Olga, Maria Antônia, João (professor), Lúcia, Júlia, Antonio Osmar, Vande e Pedro (este último, é comerciante de combustível).

As objeções foram uma constante em sua vida, e mesmo não tendo todas as condições financeiras favoráveis, criou seus 12 filhos com dignidade e honestidade, sua maior luta foi para que todos pudessem estudar e trabalhar.

Em 1960, deixou o sitio que possuíam, nas Três Marias, mudando-se para a cidade. Seu marido, acostumado a vida na roça, não se adaptava na área urbana. Enquanto ainda moravam no sítio das Três Marias, receberam conterrâneos em sua casa, como o Osvaldo(Goiaba, o Barbeiro) e Manoel Barros Freire, codinome Leomar (in memoriam), foi comerciante no Mercado do Jerry.

D. Etelvina, sempre determinada e com muita garra costurava roupas até tarde da noite para que seus filhos tivessem alimentação diária e o material escolar, tudo na maior simplicidade.

Ensinou o respeito, a honestidade, a dignidade, tem a caridade como princípio maior e mesmo com tanta luta, adotou outros filhos: Vânia, Nadir,  Rutinei, Polaquinho, Marilza, Dena, Angela e outros que conseguiu encaminhar para uma vida mais digna.

Em 1984, perde seu companheiro, e mais do que nunca se torna o balaústre da família Barros Freire. Apesar de todo trabalho e de toda luta para a boa educação de seus filhos, se dedicava aos trabalhos voluntários de caridade para com os mais necessitados.

A residência da D. Etelvina foi abrigo para muitos desvalidos que não tinham onde pernoitarem. Ela, em sua bondade e confiança em Deus, não tinha o receio de que essas pessoas pudessem lhe causar mal, sua única preocupação era ajudar.

Por vários anos, desenvolveu trabalho voluntário com as pessoas moradoras da Vila Nazaré, em parceria com o saudoso Padre Vicente.

Nos festejos da igreja, lá estava D. Etelvina a ajudar nos preparativos, se não podia estar, enviava seus filhos ou filhas.

Nessa sua caminhada, sempre teve Deus como maior princípio e procurou em toda sua vida fazer com que seus filhos tivessem a mesma fé que possuí.

No ano de 2018, com o coração amargurado, entregou nas mãos de Deus, seu penúltimo filho, Vande, assassinado praticamente na porta de sua casa.

Hoje D. Etelvina está com 92 anos de vida, desses, 78 foram vividos aqui em nosso chão, e o mais importante, foram anos de contribuição a todos, pelo seu exemplo, seu carisma, sua fé, seu amor e respeito ao próximo.

Obrigada D. Etelvina, sua vida é exemplo a todos nós!