Já não temos tempo

De ver o amanhecer

Apreciar o dia nascer

Primeiros raios de sol a surgir

E a natureza a sorrir

 

Já não temos tempo

De ouvir o cantar dos passarinhos

Nem de observar os seus ninhos

De ver o bailar dos insetos

Que ficam irrequietos

  não  temos tempo

De ver as borboletas pairar

Para o néctar sugar

Nem os enxames de abelhas

Nem colher rosas vermelhas

De andar por entre as flores

Esquecendo  Chagas e dores

Nem de olhar pela janela

Supondo que a vida é  bela.

  não  temos tempo

De descansar nas sombras das árvores

Ver as pipas cortando os ares

De banhar nos riachos

Colhendo  frutas em cachos

Sentir o calor do Sol no rosto

Pisar na grama molhada com gosto

 

Já não temos tempo

Ver a lua clarear

E uma estrela a

Piscar

Da noite curtir a escuridão

No silêncio e mansidão

 

Já não temos tempo

De ver a chuva cair

O trovão e a brisa sentir

E nem o vento tinir

 

Já não temos tempo

De apreciar o entardecer

E o sol desaparecer

 

Últimos raios a brilhar

Para o dia completar

É  assim que despede da terra

E esconde atrás da serra

Geralda M. Rosa