Por Roberto Shinyashiki
A sociedade quer definir o que é certo. São quatro as
loucuras da sociedade: A primeira, é instituir que todos têm de ter sucesso,
como se ele não tivesse significados individuais. A segunda loucura é: Você tem
de estar feliz todos os dias. A terceira é: Você tem que comprar tudo o que
puder. O resultado é esse consumismo absurdo.
Por fim, a quarta loucura: Você tem de fazer as coisas do
jeito certo. Jeito certo não existe. Não há um caminho único para se fazer as
coisas. As metas são interessantes para o sucesso, mas não para a felicidade.
Felicidade não é uma meta, mas um estado de espírito. Tem gente que diz que não
será feliz enquanto não casar, enquanto outros se dizem infelizes justamente
por causa do casamento. Você pode ser feliz tomando sorvete, ficando em casa
com a família ou amigos verdadeiros, levando os filhos para brincar ou indo a
praia ou ao cinema.
Quando era recém-formado em São Paulo, trabalhei em um
hospital de pacientes terminais. Todos os dias morriam nove ou dez pacientes.
Eu sempre procurei conversar com eles na hora da morte. A maior parte pega o
médico pela camisa e diz: "Doutor, não me deixe morrer. Eu me sacrifiquei
a vida inteira, agora eu quero aproveitá-la e ser feliz". Eu sentia uma
dor enorme por não poder fazer nada. Ali eu aprendi que a felicidade é feita de
coisas pequenas.
Ninguém na hora da morte diz se arrepender por não ter
aplicado o dinheiro em imóveis ou ações, ou por não ter comprado isto ou
aquilo, mas sim de ter esperado muito tempo ou perdido várias oportunidades
para aproveitar a vida.
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