O Banco do Brasil aprovou um conjunto de medidas que diminuem sua estrutura organizacional com fechamento de pontos de atendimento e programas de demissão voluntária. Serão encerradas 361 unidades, sendo 112 agências, 7 escritórios e 242 postos de atendimento.
As medidas foram anunciadas nesta segunda-feira (11) ao
mercado. O banco estima que a economia anual com as medidas alcance R$ 353
milhões em 2021 e R$ 2,7 bilhões até 2025.
A discussão sobre um enxugamento da estrutura do BB existia
desde meados do ano passado, mas ganhou força e profundidade com a chegada de
André Brandão, presidente do BB que tomou posse em setembro de 2020.
A cúpula do banco já tinha visões sobre a necessidade das
mudanças, mas o desenvolvimento do plano só foi adiante após a posse do
executivo vindo do HSBC.
As mudanças anunciadas já estavam em grande parte acertadas
com o Ministério da Economia, principalmente as que envolvem desligamento de
pessoal. A estratégia é rever a necessidade de atendimento físico e fortalecer
os canais digitais, que já representam a maior parte das operações.
De acordo com o banco, a Covid-19 acelerou esse movimento. A
quantidade de transações em guichês de caixa no BB caiu 42% desde 2016,
enquanto o uso digital dobrou no mesmo período e já responde por 86% das
transações.
Desde abril do ano passado, o aplicativo do banco ganhou
mais 4,7 milhões de usuários, chegando a 19,4 milhões, com uma média diária de
crescimento 273% maior do que antes da pandemia. O contato via WhatsApp também
registrou crescimento expressivo, chegando a quase 600 mil atendimentos por
dia.
As medidas anunciadas nesta segunda envolverão, ao todo, 870
unidades pelo país. Além do encerramento de atividades de parte delas, outras
243 agências terão suas funções reduzidas ao serem transformadas em postos de
atendimentos (que não têm gerente).
O banco também vai transformar 145 unidades de negócios em
lojas. Elas possuem terminais, mas não guichês de caixa.
Também serão criadas 28 unidades de negócios especializadas
(sendo 14 agências voltadas a agronegócio e 14 escritórios para clientes que
dão prioridade a serviços de forma digital), com aproveitamento de espaços já
existentes.
Segundo o Banco do Brasil, as mudanças nas agências
acontecerão a partir de 22 de fevereiro e serão comunicadas aos clientes por
SMS, aplicativo de celular, site na internet, terminais de autoatendimento,
além de correspondências, e-mail e cartazes nas agências.
A mudança de agência é automática. Os clientes não precisam
fazer nenhum procedimento e podem manter seus cartões e senhas para transações,
mesmo que haja alteração no número da conta.
Foram aprovadas pelo banco ainda duas modalidades de
desligamento incentivado voluntário aos funcionários. O Programa de Adequação
de Quadros, para redistribuir força de trabalho, e o Programa de Desligamento
Extraordinário, disponível a todos os funcionários do BB que atenderem aos
pré-requisitos.
A estimativa do BB é que cerca de 5.000 funcionários façam
adesão aos dois programas. O número final de desligamentos, assim como o
impacto financeiro, serão informados ao mercado após o encerramento do prazo
(em 5 de fevereiro).
O enxugamento de agências continua um movimento observado
desde o governo do então presidente Michel Temer (de 2016 a 2018).
Em 2017, houve uma reformulação significativa para eliminar
781 agências (14% do total da época), sendo que 379 seriam convertidas em
postos de atendimentos e 402 unidades seriam encerradas, somando-se a outras 51
agências que tinham começado a ser fechadas em outubro de 2016.
Do fim de 2016 até o fim de 2019, foram eliminadas 1.390
agências tradicionais (uma redução de 27%). No mesmo período, o banco desligou
7.432 funcionários (cerca de 7% do total inicial).

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